quarta-feira, 18 de agosto de 2010

sobre a distância

Quem nunca namorou à distância não pode opinar, isso eu aprendi. Antes, quando perguntavam a mim qual seria minha opinião quanto aos relacionamentos à distância, sem hesitar eu respondia: "sou contra, jamais agüentaria". Assim como diversas outras coisas, a vida se encarregou de me ensinar que esse tipo de coisa não se prevê. E que agüentar ou não está longe de ser opção - é preciso. Não conheço ninguém tão racional a ponto de analisar prós e contras e efetivamente decidir em deixar quem se ama por achar que no futuro pode não dar certo. O que faz o relacionamento terminar, na maioria das vezes, não tem muito a ver com a razão propriamente dita. Condenar um relacionamento pela distância física acaba sendo uma atitude desesperada e precipitada. Dói, e pode vir a estragar, mas com certeza as razões do falecimento do amor serão um conjunto que, inclusive provavelmente envolverá a falta de confiança e o individualismo. Garanto à vocês que manter um relacionamento à distância é desgastante e, muitas vezes, beiramos a loucura. A dor que se sente é física e rasga. Mas como tudo na vida tem prós e contras. O amor propriamente dito é abdicação e dedicação, e não existe prova mais concreta disso que enfrentar os quilômetros e buscar uma forma de ser feliz.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Perdido na Tradução

...Tchau
...Tchau
...e depois Just Like Honey
...precisa de mais?

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Naquele instante

Virou-se na cama e disse oi. Disse oi com um sorriso aberto, os olhos cheios de brilho, a boca vermelha de quem acabou de beijar. A partir dali não havia volta, bem sei.

Estava na beira do abismo. Momentos antes ela mostrou seu bar predileto, seu restaurante predileto, sua rua predileta. Esforçou-se então para lembrar de todos aqueles lugares que não eram seus. De uma cidade que não era sua. De uma mulher que não era sua.

Tempo e espaço estavam decididamente jogando contra. Mas quem precisa dessas noções pequenas que servem para rotular sentimentos nas almas dos funcionários públicos. Cartilhas sentimentais de estóicos indecisos: "Só me apaixono no terceiro jantar e digo que a amo na sexta semana, depois dela ser aprovada pelos meus pais."

Ele se apaixonou naquele mesmo instante do oi. Quando ela disse oi, sorriu e buscou seu corpo. Entrelaçaram-se como os animais que fogem do frio. Não havia necessidade de um antes, de qualquer história posterior. Ele a amara ali e naquele momento. Apenas ali e para sempre ao mesmo tempo... Quando amanhecesse, ele sabia que estaria perdido...

sábado, 21 de novembro de 2009

Num momento

Se o João Cabral conhecesse o rivotril, jamais faria ode à aspirina.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

acabou

uma coisinha na cabeça: definitivamente eu não sou especial

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Tempo

Não sei o que dizer. O amor não se vai. Ainda bem. Ele fica. Permanece. A alegria é constante. Mas o tempo é curto. Um dia, quem sabe, o prazo de validade seja o para sempre.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Prefácio

É isso Drummond. O primeiro amor passou. O segundo amor passou e o terceiro também. O coração, esse continua. Continua. Velho, cansado e desiludido, recebe um sopro de vida. Volta a bater e você volta a ser um pouco adolescente. Com medos e ansiedades, ciúmes e expectativas.
Aquela montanha russa de sentimentos que surgem com o sorriso dela provoca, de certo modo, a ressurreição daquilo que estava escondido há tanto tempo. Faz tempo, mas você lembra. Lembra como a distância incomoda, lembra como as contradições te machucam e suas dúvidas tentam corrompê-lo... Não há de ser nada, Drummond. De hoje em diante, o sorriso mais bonito do mundo andará do meu lado.