quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Lost In Translation

Sempre me considerei moderna. Cheia de idéias revolucionárias tendendo ao feminismo. Pudera, a fruta não cai longe do pé. Engraçado que todas as vezes que participei sobre alguma conversa polêmica sobre relacionamentos com diferenças grotescas de idade - entenda-se grotescas aquelas diferenças em que o amado pode ser confundido com o genitor - tive um posicionamento super a favor, mas sempre apoiada apenas por aquela frase bem clichê do "eu não vejo problema nenhum". Essa coisa de não ver problema nenhum também significa "nunca aconteceu comigo", na maioria das vezes. Cerca de dois anos atrás, deparei-me com uma antiga amiga da minha mãe (antiga a amizade, a amiga não é tão velha assim, ela tem seus 42 anos) namorando um amigo do filho mais novo. Cabe salientar que este amigo do filho mais novo - que tem 22 anos -é um ano mais novo que ele. Claro que o caso virou a maior polêmica dentro da família dela (e dele) e tudo mais, o esperado. O inesperado foi minha reação, aquela coisa meio "nossa, que absurdo" que sai quase sem-querer. Eu não conseguia imaginar aquela mulher que eu chamo de "tia" namorando aquele pirralho. "Nem eu gosto de namorar caras de 22 anos, caralho!" - e lá se vai minha figura de mulher moderna e "pra frentex"...Tudo bem que depois que passei um tempo com o casal achei que eles realmente tinham uma sintonia legal e que eram felizes, e é isso que realmente importa. Mas algo sempre puxava pro ridículo quando eu imaginava ela indo buscar ele na aula.Agora estou eu aqui, capaz de dizer algo além do "eu não vejo problema nenhum". A verdade é que, quando acontece com você, você vê sim uma porrada de problemas. Às vezes, você até inventa alguns para ver tentar sair dessa ileso. Mas não sai. Porque normalmente é quando você vê uma porrada de problemas que você tem mais vontade de tentar. Porque parece promissor, porque parece bonito superar tudo, e se gostar além de todas as diferenças. Oh, que bonito. As agonias do amor romântico, versão remasterizada. Entretanto, o que a gente esquece, que essa coisa de cara mais velho casar com mulher mais nova é antiga, bem mais antiga que o preconceito. Fato é que todo mundo concorda que mulher amadurece mais rápido, não concorda? O problema é que hoje em dia não importa o quão decidida e bem resolvida você seja como mulher, se um garoto se apaixonar por você é lindo, mas se um homem faz o mesmo você está sendo feita de trouxa. O pessoal esquece que o amor tem suas armadilhas, e todas as merdas que podem dar vão dar - sendo o objeto de desejo novo ou velho. Lembra do texto anterior? O problema gira em torno do fato de sermos seres de "planetas distintos", e isso por si só já é um problema bem grande a ser resolvido e encarado. Vamos parar de arranjar mais e mais problemas para nos relacionarmos com as pessoas, minha gente! Vamos nos amar, vamos ser felizes, e perceber que pessoas são pessoas, não são grupos, e não são passíveis de generalização. Aleluia!

Abraços,

Lou.

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