quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Pelas migalhas

Na hora fui machão. "Tudo bem, se é o que você quer. Claro, ainda amigos, seja feliz". Assim que você desliga, mãezinha do céu, o olho cegou a lingua enrolou, a perna falhou, o meu nome esqueci. Que tudo bem, que nada. Pô nenhuma. Aqui estou plantado de quatro, ganindo para a lua vermelha dos amantes desprezados. Nada acabou, meu amor que era grande ficou maior, transborda do meu peito, sai pela janela, explode a cidade em sarças ardentes, uivos de dor, borboletas amarelas...


Sente muito, você, a maior das assassinas? Tudo bem pô nenhuma. Não tem obrigadinha. Não tem desculpa. Quero você inteirinha de volta. Orgulho já não tenho. Merda para o orgulho. A paz dos cabelos brancos, até essa me deixou. Entre você e o amor próprio escolho você. Entre a dignidade e a abjeção com você, escolho a abjeção. Só peço pelo último encontro, duas palavrinhas. Por você eu morro todo dia. Pelo teu amor sou morto cada hora. Deixa te ver, sua maldita, uma vezinha só. Ai, por favor. Minha santinha querida. Por favor.

Tudo Bem Querida, Dalton Trevisan.

Boa literatura é universal...
Eu que o diga.

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Mulheres das Migalhas

Não tinha me atentado ao fato de que há um tipo de mulher que gosta de migalhas. Dia desses, conversei com uma amiga minha. Falávamos sobre um relacionamento passado que tive. Na época não via ou não queria ver que tipo de mulher era aquela moça. Ela gostava de migalhas.
*
Conheci a moça quando ela estava prestes a casar. Ela não casou. O noivo fazia tudo por ela. Estufou o peito do pé e enfiou o bico na bunda do coitado. Passado um mês, a garota se apaixonara por um cara que queria apenas faturá-la. Batata! Ela se apaixonou, chorou, esperneou. Nada conseguiu. Demorou, mas superou. Pelo menos achava que sim.
*
Foi quando começamos a namorar. Crasso erro. Ela gostava de migalhas e mulheres assim não foram feitas para que os homens se apaixonem por elas. A garota é destas que gruda quando é pisada, não sabe reagir bem quando é bem tratada, respeitada. Passou um tempo. Acabamos. Passou mais um tempinho e batata! Ela está namorando, por migalhas. Soube dia desses que o atual é um canalha de marca maior. Dos piores. Sem dó nem piedade. Ele tem o meu apoio. Azar o dela, que é dependente das migalhas. Não havia me atentado, mas há muitas mulheres deste tipo.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Momento Cartola

É. As rosas não falam.

Já que mencionaram Cartola...

Ainda é cedo amor, mal começaste a conhecer a vida
Já anuncias a hora de partida
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar
Presta atenção, querida
Embora eu saiba que estás resolvida
Em cada esquina cai um pouco a tua vida
E em pouco tempo não serás mais o que és
Ouça-me bem, amor
Preste atenção, o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos
Vai reduzir as ilusões a pó
Preste atenção, querida
De cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares estás à beira do abismo
Abismo que cavastes com teus pés


Eu, que já sou praticamente um poço de cinismo, quero que o Cartola se foda. Assim como o resto de bom senso que ainda existe em mim.