segunda-feira, 14 de abril de 2008

Uma manhã de sábado

Escuto o barulho do chuveiro enquanto puxo o cobertor para mais perto. É uma sensação conhecida, mas que não era experimentada há tempos. Revela uma certa intimidade, por mais bobo que possa parecer. Há uma mulher ali tomando banho, ali ao lado. Há uma pessoa que passou a noite com você e que está ali no seu banheiro. Existe uma dose de entrega nisso. Sexo é sexo de qualquer forma. É bom, é particular, instigante. Mas é sexo. Os poréns estão no antes e no depois.
Ela está ali tomando banho com uma toalha e uma camiseta emprestada. É uma camiseta corporativa. Uma camiseta do seu trabalho que você nunca usaria para sair de casa. Uma camiseta cuja estampa você abomina. Mas quando ela sair com a camiseta haverá um milhão de sensações relacionadas que o farão gostar da camiseta. O vapor saído do banheiro, o cheiro do cabelo molhado, o corpo meio febril pela água quente.
Aqui houve o sexo. Não o etílico à beira do desmaio de outras vezes, não o rápido-visto a roupa e chamo o táxi ou o da amiga que também transa. Do sexo eu nunca me afastei. Do depois é que eu andava esquecido. Ela volta para cama e pergunta que horas são e onde vamos almoçar. É uma sensação conhecida. Uma nostalgia e um medo.

* Leia escutando Soldier's things do Tom Waits.