segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Vestido azul

Ela me atende com um vestido azul. Não de festa, não de trabalho. Um vestido azul que ela usa em casa ou pra sair no domingo de tarde. Nesse momento, porém, o vestido é o mais provocativo que ela poderia usar, mesmo sem querer que fosse assim. Não há nada demais no vestido. Ele deixa os braços e os ombros pro lado de fora. Para o Machado, já daria um conto. Para mim, é um romance inteiro. O vestido vai até a altura do peito. Um decote bem comportado. Nem precisa mais. Ele alcança até os joelhos. Nada está à mostra, mas está tudo lá, sim, à mostra . O pescoço branco, a tatuagem, os braços, os seios escondidos, as pernas, a bunda. Tudo clamando por um beijo. O vestido azul realça o cheiro e as curvas. Nada ali é vulgar, mas tudo chama o sexo. Enquanto dou oi, todo o roteiro passa minha cabeça. Os beijos. O vestido que cai. Os toques, a cama. O sexo. Comportadamente dou oi e sento no sofá. Saímos para almoçar com um beijo no rosto. O vestido azul, esse fica pra sempre.

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