sábado, 20 de dezembro de 2008

Querido cordeiro

Pensei em escrever sobre uma dezena de coisas. Mas após ver um filme de categoria duvidosa e refletir um pouco, defini o tema. Assistam Someone Like You, com o Wolverine e depois me contem.

O filme me fez lembrar do comentário no texto abaixo. Eu sou o cordeiro em pele de lobo. Fez muito sentido. Mas por que eu me faria passar por um lobo?

O contexto do filme talvez explique um pouco. O Wolverine (nunca lembro o nome do ator) é um homem conhecido como "galinha". A mocinha não se apaixona por ele. Ela gosta do cara, aparentemente, sensível. Entretanto, a certa altura do campeonato, o rapazola que era todo romanticão não passava de mais um querido canalha.

Iludiu a moça e a marcou com um belo pé no traseiro. Conversa vai, conversa vem, a bonitinha do filme descobre que o Wolverine tenta não se envolver com as raparigas que fisga porque também já foi "kickado".

Contudo, a trama leva a moça a insistir na paixão pelo primeiro canalhão e, em seguida, descobrir o amor com o Wolverine.

Enfim, a galinhagem, a falta de envolvimento podem não passar de um escudo.

A minha pele de lobo pode ser um pouco isso. Já fui galinha, não sou mais, há muito tempo. Gostaria de ser canalha, mas não consigo. Sou o cordeiro mesmo, querendo ser o Wolverine do filme Someone Like You.

Estou acreditando um pouco mais no amor hoje.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Resposta à Lou

Primeiro, as mulheres querem que os homens façam rodeios. Embora digam que querem um homem decidido, quando ele é, deveria ter sido romântico. O romantismo é uma boa arma para transar. Difícil é crer naquele verdadeiro romântico que, para mim, está no ato de amar. Poderíamos sim dizer que queremos apenas transar com vocês, mas a transa apenas não satisfaz. O que mais satisfaz é ter a mulher ligando, com esperança. É cruel. Digo isso porque creio que os valores estão invertidos e, hoje, há tanto mulheres que querem os bobócas atrás delas como homens que querem as bobócas atrás deles. Entretanto, é preciso deixar claro uma coisa. A objetividade que vocês mulheres querem é só uma, a da sinceridade. Vocês querem alguém que seja sincero, honesto. Assim como nós queremos uma mulher assim. Que aja sem jogos. Que diga eu te amo, mas com certa firmeza, que a deixe segura. No fundo, queremos as mesmas coisas, mas sempre procuramos em lugares diferentes.

Envolver-se ou não: eis a questão

Existe, dentro dos relacionamentos amorosos, diversas linhas tênues, com conteúdo obscuro e definições impossíveis. Há aquele que não é namorado, mas é. Há também aquele que é amigo, mas não é só isso. E dentro de todos os diversos companheiros indefiníveis, existem termos e frases indecifráveis. Já ouvi muito dizer, nas mesas de bar e em piadinhas mandadas em foward por e-mail, que quando a mulher diz uma coisa, ela quer - na verdade - dizer outra. Todos enfatizam que isto seria, sim, coisa do sexo feminino exclusivamente, como se os homens fossem objetivos e decididos. Entretanto, posso garantir que isso não passa de uma falácia, uma lenda urbana. Posso sitar um exemplo bem "quente" para vocês: a famosa frase "não quero me envolver". Ok. Muitos versinhos nos induzem a justificar que "querer não é poder" e etc, mas vamos combinar que a maioria dos que afirmam a falta de vontade em se envolver, das duas uma: ou já está completamente envolvido - aquela coisa de negativa de Freud -, ou o cara não quer realmente se envolver mas quer continuar brincando de casinha, continuando tomar atitudes que dão e entender envolvimento, para manter a gata envolvida. Pois bem, eu sinceramente acho que em ambos os casos há uma necessidade imensa de manter um certo controle de uma situação, no qual ou o controle ou a própria situação são inexistentes. Caso fosse verídica a idéia de que os homens são realmente objetivos e decididos, haveriam muito mais convites de "Oi, vamos transar? Mas se prepare, eu vou ser um escroto no dia seguinte", ou até, muitos se declarariam e, assim, estariam de volta os românticos incuráveis. Falta aos homens, com o perdão da palavra, culhões. Mulheres são facilmente decifráveis, e não posso negar que existem situações em que uma mentirinha serve bem para os dois lados. Mas quando se trata de sentimento mesmo, vamos combinar, ficar rodando em torno do próprio rabo é uma puta perda de tempo.

Beijos calorosos,

Lou.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Radiohead

Repita como um mantra:
Just because you feel it
does not mean it's there

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Vestido azul

Ela me atende com um vestido azul. Não de festa, não de trabalho. Um vestido azul que ela usa em casa ou pra sair no domingo de tarde. Nesse momento, porém, o vestido é o mais provocativo que ela poderia usar, mesmo sem querer que fosse assim. Não há nada demais no vestido. Ele deixa os braços e os ombros pro lado de fora. Para o Machado, já daria um conto. Para mim, é um romance inteiro. O vestido vai até a altura do peito. Um decote bem comportado. Nem precisa mais. Ele alcança até os joelhos. Nada está à mostra, mas está tudo lá, sim, à mostra . O pescoço branco, a tatuagem, os braços, os seios escondidos, as pernas, a bunda. Tudo clamando por um beijo. O vestido azul realça o cheiro e as curvas. Nada ali é vulgar, mas tudo chama o sexo. Enquanto dou oi, todo o roteiro passa minha cabeça. Os beijos. O vestido que cai. Os toques, a cama. O sexo. Comportadamente dou oi e sento no sofá. Saímos para almoçar com um beijo no rosto. O vestido azul, esse fica pra sempre.