terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Segredo

Não há melhor segredo na vida do que aquele sobre amor. Amo cada momento em silêncio. Adoro o prazer de gritar o nome dela sem dizer coisa alguma. Digo apenas à ela. É bem verdade que berraria aos quatro ventos seu nome, mas prefiro chamá-la ao pé do ouvido.
As palavras ditas são mais sensuais, mais atrevidas. Cada letra falada pode ter um significado ainda mais especial. Entretanto, cada frase escrita fica marcada para sempre.
Nem sempre é preciso escrever ou falar. Há momentos que o silêncio pode significar muito mais. Não há silêncio que resista um olhar, um gesto. No amor, o segredo é sinal de confiança. Não há amor sem segredo, não há segredo sem amor entre um homem e uma mulher.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

O Jornalismo e a Amizade

de Melissa Bergonsi
Quem tem um amigo, desses que o coração se amansa quando se está perto, vai entender o que vou falar sobre o Jornalismo. Não há como ter um amigo sem que sua alma não respire solidariedade.

Para exercer o jornalismo, a solidariedade tem que ser inerente. Ajudamos um amigo a carregar a mudança, damos ombro a ele, aplicamos uma carraspana quando está errado e costumamos ajudá-lo a pechinchar por um preço mais justo na feira da semana. Quanta semelhança.

No Jornalismo, há que se ter esta vontade. Escrevemos porque queremos ajudar as pessoas a encontrarem seus caminhos, a escaparem de um golpe, a encontrarem preços mais justos, a conhecerem exemplos de vida. É com as letras que tentamos melhorar a vida de alguém. A caneta é nossa espada de Dom Quixote contra os moinhos de vento. Não há como ter um amigo sem que sua alma não respire honestidade. Para exercer o Jornalismo, a honestidade tem que ser inerente.

Por mais que doa, contamos a um amigo o quanto ele está inapropriado. Não permitimos participar de falcatruas, nem que seja pra ganhar o jogo de futebol entre os amigos do Saraiva e amigos do Osvaldo. Falcatrua não vale. É assim no jornalismo.

Não se aceita safadeza, nem se compartilha e não se lucra com ela. No Jornalismo, tem que se escrever a verdade. Nem uma letra a mais, nem a menos. É a honestidade com a fonte, a honestidade com o leitor. Não vale roubar dinheiro, não vale roubar idéias, não vale roubar versão. Nem penso em ter um amigo se não guardo em mim a noção de respeito. É a mesma coisa no Jornalismo. Na relação de amizade, cabe a bronca sem humilhação. Cabe a discussão sem xingamento e cabem as brincadeiras sem exageros infames. Precisamos saber a hora de parar, o limite.

No Jornalismo, o respeito é premissa básica. Não se passa por cima de ninguém e é pecado usar o Jornalismo para isso. Não somos juízes, não somos deuses e não devemos nunca gozar do defeito da prepotência. Cabe dentro da noção de respeito, a humildade, o compromisso com a verdade, o limite. Amizade é feita de duas pessoas. Jornalismo é feito de toda humanidade. E como conviver com um amigo se em você não mora a compreensão?

No Jornalismo, compreensão é regra como se fosse um dos dez mandamentos. Façamos o caminho inverso: para compreendermos um amigo, seus problemas, frustrações, desejos e vontades, devemos antes de tudo estar disposto a ouvi-lo. Quem não fecha a boca, não usa o dom da audição, não pode ser amigo. Nunca vai descobrir a pessoa que te acompanha. Nunca terá se importado verdadeiramente com ela.

Há quem pense que o Jornalismo é a profissão da expressão verbal. Seja escrevendo, seja tagarelando. O Jornalismo é a terra da audição, o planeta da atenção a quem fala, a galáxia das histórias.

Você só conta algo a alguém se puder antes ter ouvido verdadeiramente uma história. No Jornalismo, aprendemos a deixar os outros falarem. Somente a compreensão te qualifica a escrever uma boa história. Sem ela, o que existe, é a sua história e não a dos outros.Não há jornalismo sem história. Não há história sem compreensão, não há compreensão sem que se saiba ouvir. Aliás, não há amizade sem envolvimento. No Jornalismo, a frieza te torna incompleto. Não há quem não pense em um amigo sem que se tenha vontade imediata de dar (nele) um abraço demorado.

No Jornalismo, jogue fora seu texto se você não quer abraçar sua pauta. Não há como ser amigo sem que se envolva. Sem envolvimento nosso tempo fica escasso. Não há espaço na agenda e sobra preguiça de atravessar a rua para dar os parabéns no dia do aniversário. Podemos cultivar bons papos por email, mas nunca viveremos uma história completa.

No Jornalismo, só quem sabe se envolver tem vontade de ir pra rua escarafunchar uma bela reportagem. Quando a gente se envolve, não há tempo que falte para visitas, conversas, entrevistas e para um texto bem apurado. Hoje em dia, as amizades ficam cada vez mais virtuais.

O Jornalismo cada vez mais burocrático. Para se cultivar um grande amigo é preciso levantar do sofá e praticar os bons valores. Para se fazer o bom jornalismo, também.

Nota do blogueiro: Peço licença aos amigos de blog para publicar este texto que fala também sobre outros amores da minha vida e da autora, o jornalismo e a amizade.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Confissões de um bêbado

Quem aqui nunca usou da velha desculpa do "não lembro de nada" para se safar das situações constrangedoras que só mesmo a bebida é capaz de proporcionar? Quem aqui já realmente esqueceu algumas partes de uma noite regada à coquetel motolov? "Sim e sim", eu responderia. Realmente, existem noites que algumas partes são simplesmente eliminadas, enquanto existem noites que nos safamos de explicar qualquer coisa, apenas repitindo a frase "nossa, não lembro de nada". Agora, o que fazer quando um bêbado declara seu amor? Bêbado mente? Eu conheço amigos que soltam um EU TE AMO muito caloroso sempre que bêbados. Isso quer dizer que eles não me amam? Ou quer dizer que me amam, mais ainda do que se dissessem sóbrios? Ah, não sei bem o que pensar, então fica a dúvida. Oh, Lord!

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

O tumulto

O que falar quando não há terminologia exata capaz de descrever um sentimento? Maior ou menor que aqueles sentimentos que já conhecemos? Ou apenas uma forma diferente de sentí-los? O medo deixa as relações tumultuadas, fato. Mas sem o medo, seriam essas relações igualmente interessantes? É o perigo eminente de perder, a areia movediça, o suspiro aparentemente sem explicação. É o fato consumado mas não imutável, a certeza da incerteza, a vontade reprimida que cresce como uma árvore dentro de uma kitinete. E que cresce, cresce, cresce...

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Recomeço

Ninguém escolhe amar alguém. Acontece. O sentimento ocorre devido a uma conjunção de coisas inexplicáveis. Tentar buscar o motivo para se amar nunca foi minha intenção. Aceito o sentimento como quem aceita o inevitável. Não há como controlar. É uma bela maldição (ou "bondição") a se carregar, com todos seus prós e contras.
E se pudesse escolher? Amaria sempre. A cada tropeço, escolheria de novo o amor. Não há como negar que a tristeza já passou por muitos que amaram, mas lembro que a felicidade também.
Pode parecer piegas, mas não há o que esconder. Burros são aqueles que negam o sabor de recomeçar sempre.
Não sei o porquê hoje escolhi falar aleatoriamente sobre o amor, sem um objetivo definido. Acho que estou em mais um recomeço saboroso.