Virou-se na cama e disse oi. Disse oi com um sorriso aberto, os olhos cheios de brilho, a boca vermelha de quem acabou de beijar. A partir dali não havia volta, bem sei.
Estava na beira do abismo. Momentos antes ela mostrou seu bar predileto, seu restaurante predileto, sua rua predileta. Esforçou-se então para lembrar de todos aqueles lugares que não eram seus. De uma cidade que não era sua. De uma mulher que não era sua.
Tempo e espaço estavam decididamente jogando contra. Mas quem precisa dessas noções pequenas que servem para rotular sentimentos nas almas dos funcionários públicos. Cartilhas sentimentais de estóicos indecisos: "Só me apaixono no terceiro jantar e digo que a amo na sexta semana, depois dela ser aprovada pelos meus pais."
Ele se apaixonou naquele mesmo instante do oi. Quando ela disse oi, sorriu e buscou seu corpo. Entrelaçaram-se como os animais que fogem do frio. Não havia necessidade de um antes, de qualquer história posterior. Ele a amara ali e naquele momento. Apenas ali e para sempre ao mesmo tempo... Quando amanhecesse, ele sabia que estaria perdido...
quarta-feira, 19 de maio de 2010
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