segunda-feira, 6 de agosto de 2007

O abandono

Abandonei a moça. Desde que ela começou a me tratar como criança, mostrou-se autoritária. Reclamava da louça suja, do número exagerado de roupas que eu usava, do meu sucrilhos de manhã e da música alta.

Sugeri que ela estava pronta para algo mais concreto, mais responsável, porque, de fato, ela não conseguia assumir a responsabilidade de uma relação, digamos assim, mais solta, menos presa. Tínhamos um namoro mais simples. Nos comprometemos com a fidelidade, premissa básica para convencer qualquer mulher a morar com você. De resto, responsabilidades do lar, compras, contas, tudo era dividido em dois.

Pior, ela conseguia dividir tudo corretamente, menos o meu tempo. O tempo sempre teve que ser delas. Até o meu tempo no chuveiro. Para ela, um banho de 20 minutos era exceder o tempo necessário para se ensaboar e se enxaguar. Nunca ouvi nada tão absurdo.

Eu gostava dela. Sempre vou gostar. A primeira mulher que eu abandonei foi minha mãe. A segunda foi ela, que me tratava como um filho. Ela queria ser minha mãe. Dei apenas um conselho. Que ficasse grávida, porque ela seria uma ótima mãe. Mas que ficasse grávida de outro homem porque eu não queria um irmão.

Geraldo Boa Morte

2 comentários:

Priscilla disse...

I think you´ll never get rid of these things as "reclamar da louça, reclamar das roupas". É intrínseco e mente quem diz que não. Assim como é intrínseco a vocês não passar dos treze anos ;)

marie. disse...

meio duro demais a forma de pensar, principalmente pelo fato de que tem muito homem que faz da mulher mãe, muito mais do que o contrário. :)