Será possível partir do pressuposto de que nem toda experiência precisa ser vivida ou seria melhor aceitar a idéia de que até no mais profundo sofrimento existe pontos positivos? Parece que com o passar do tempo e com o viver das experiências vou perdendo ainda mais minha capacidade de racionalizar meus sentimentos. Não posso exigir de mim que eu engasgue em meio a uma crise de fúria e engula a seco a idéia de que “assim foi melhor”. Eu me recuso a aceitar que o melhor possa ser perder. Eu não gosto de sofrer e não aposto minhas fichas no número errado de propósito. Fingir que me conformei seria uma atitude não só hipócrita, mas também de extrema violência contra minha natureza. Ignorar é auto-destruição, passar por cima é deitar embaixo do caminhão. Ser cordial é mentir um equilíbrio não humano. Eu me pergunto qual é a graça dessa imposição de valores que vão contra a transparência. Já temos que vestir tantas máscaras para conseguirmos viver em sociedade que eu acho uma judiação me sujeitar a uma que é completamente desnecessária e cruel. Se mentir para si mesmo é sempre a pior mentira, por que ainda insistem em nos aconselhar a deixar o sofrimento de lado? Deixar de lado é estender o tempo de permanência da mágoa dentro de nós. Eu não quero controle, busco auto-conhecimento. Quero aprender a lidar com minhas fragilidades ao invés de ignorá-las. Eu prefiro uma semana de cama a uma vida toda de rancor. Prefiro assumir instabilidade, decepção e tristeza com a mesma facilidade que anuncio excitação. A grande sacada está em não deixar que os períodos de luto e de solidão se tornem eternos, a ponto que se tornem empecilho para o que vem a seguir. Encontrar dentro da melancolia, o aprendizado. Entender que se perder foi inevitável, que sirva pelo menos de lição. Eu não quero ter todas as experiências, quero apenas as que eu escolher. E que, nestas, eu consiga não achar pontos positivos, mas sim coisas que valham a pena se pensar.
fevereiro de 2007, e eu ainda nem era Lou.
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